
La Guaira, Venezuela – Dois dias após os fortes terremotos que atingiram a Venezuela, moradores registraram cenas de saques em edifícios danificados no estado de La Guaira, a região mais afetada pela tragédia.
Equipes de reportagem que percorriam áreas atingidas flagraram pessoas entrando em imóveis comprometidos pelos tremores e deixando os locais carregando caixas, sacolas e outros objetos. Na maioria dos casos, os envolvidos eram homens, enquanto familiares e acompanhantes, incluindo menores de idade, aguardavam do lado de fora.
Apesar da ação criminosa, não houve registros de confrontos ou episódios de violência durante os saques.
Os incidentes ocorrem após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados na quarta-feira (24), que provocaram destruição em diversas regiões do país. Os tremores foram sentidos em praticamente todo o território venezuelano, mas La Guaira, localizada na costa do Caribe, concentrou os maiores danos.
Diante da gravidade da situação, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de desastre natural em La Guaira e determinou o envio imediato das Forças Armadas para reforçar a segurança e auxiliar nas operações de busca e resgate.
Em pronunciamento transmitido pela emissora estatal VTV, Rodríguez pediu que a população evitasse viajar para a região afetada, permitindo que equipes de emergência atuem sem obstáculos no atendimento às vítimas.
Segundo o balanço divulgado pelo governo venezuelano até a tarde desta sexta-feira (26), 920 pessoas morreram em decorrência dos terremotos, enquanto 1.423 edifícios sofreram danos, entre destruição total e parcial. As autoridades informaram ainda que centenas de pessoas continuam desaparecidas sob os escombros.
La Guaira permanece como o epicentro da tragédia humanitária, concentrando o maior número de vítimas fatais e de construções comprometidas. Equipes de resgate seguem trabalhando ininterruptamente na tentativa de localizar sobreviventes, enquanto a população enfrenta dificuldades com a falta de energia, água e acesso a serviços essenciais.