
O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, afirmou nesta segunda-feira (2) que o Brasil precisa estar pronto para cenários mais graves decorrentes da crescente tensão entre Irã, Israel e Estados Unidos no Oriente Médio.
Em entrevista à GloboNews, Amorim considerou “condenável e inaceitável” a morte de um chefe de Estado em exercício — referência aos ataques que resultaram na morte do líder supremo iraniano — e alertou para o potencial de expansão do conflito para outras partes da região, o que ele classificou como “o pior” cenário possível.
🌍 Risco de alastramento da violência
Ao detalhar sua avaliação, o diplomata destacou que o Oriente Médio já registra um aumento vertiginoso das tensões, com o Irã historicamente fornecendo armamento a grupos xiitas e movimentos militantes em países vizinhos, o que pode contribuir para uma escalada ainda maior da violência.
Especialistas em relações internacionais também apontam que o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos, alegando conter o programa nuclear de Teerã, agravou ainda mais o quadro. O Irã respondeu com mísseis e drones, ampliando o confrontamento militar na região e gerando preocupação global.
📅 Diplomacia brasileira em foco
Amorim revelou que ainda planeja conversar por telefone com o presidente Lula sobre o tema, acrescentando que os dois ainda não tiveram uma discussão aprofundada sobre os impactos do conflito. Há indicações de que a crise pode influenciar a agenda diplomática brasileira, incluindo possíveis conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está prevista para ocorrer entre 15 e 17 de março, embora ainda sem confirmação oficial.
O diplomata observou que o Brasil já prestou solidariedade a países afetados pela violência e tem pedido a interrupção das ações militares na região do Golfo, reforçando que a escalada atual representa uma grave ameaça à paz internacional.
🇧🇷 Posição oficial do governo brasileiro
O Itamaraty — Ministério das Relações Exteriores — também emitiu nota nos últimos dias reafirmando a preocupação do Brasil com a escalada do conflito, apelando ao respeito pelo direito internacional e à contenção de hostilidades como forma de evitar a ampliação da crise.