
Relação diplomática entre Brasília e Buenos Aires atravessa momento delicado, e autoridades brasileiras classificam cenário como o mais tenso em mais de quatro décadas.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera que a atual crise diplomática entre Brasil e Argentina representa o momento mais delicado das relações bilaterais desde a redemocratização brasileira.
A avaliação foi feita por integrantes do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores. Segundo o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, trata-se da maior crise entre os dois países desde o fim do regime militar.
Interlocutores do chanceler Mauro Vieira e o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, compartilham da mesma análise. Em reunião realizada na segunda-feira (27), em Brasília, as autoridades classificaram a situação como “muito grave”, segundo fontes ligadas ao governo.
Crise remete ao impasse de Itaipu
Nos bastidores do governo, a comparação histórica mais recorrente remonta a 1973, quando Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu.
Na época, a Argentina contestou o projeto por considerar que a exploração das águas da Bacia do Rio Paraná poderia afetar seus interesses estratégicos. O governo argentino tentou viabilizar uma alternativa com o Paraguai, por meio do projeto da Usina de Corpus, que nunca chegou a ser construído.
Desde então, apesar de divergências pontuais, Brasil e Argentina mantiveram canais permanentes de diálogo e cooperação diplomática.
Relação já enfrentou atritos recentes
O relacionamento bilateral também passou por momentos de desgaste durante os governos dos então presidentes Jair Bolsonaro e Alberto Fernández, marcados por divergências políticas e troca de críticas públicas.
Entretanto, integrantes do atual governo avaliam que o cenário atual apresenta um nível de tensão superior ao registrado naquele período.
Governo adota postura de cautela
Diante do agravamento das relações, o Palácio do Planalto decidiu manter o embaixador Julio Bitelli em território brasileiro enquanto acompanha os próximos movimentos do governo argentino.
A estratégia, segundo fontes diplomáticas, é evitar decisões precipitadas e preservar espaço para uma eventual retomada do diálogo entre os dois países.
As autoridades brasileiras seguem monitorando a evolução da crise antes de definir possíveis medidas diplomáticas.
Fonte: Com informações da CNN Brasil.