
A rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) gerou ampla repercussão na imprensa internacional, que classificou o episódio como um duro golpe político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar de ter sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça após uma longa sabatina, o nome de Messias foi barrado no plenário do Senado por 42 votos contrários e 34 favoráveis — um resultado incomum para indicações ao STF, tradicionalmente validadas pela Casa.
Imprensa internacional destaca “derrota histórica”
O jornal espanhol El País classificou a decisão como “uma derrota histórica” para Lula. A publicação ressaltou que, diferentemente do padrão habitual, o Senado brasileiro optou por não confirmar a indicação presidencial.
Segundo o veículo, o episódio levanta dúvidas sobre a capacidade de articulação política do presidente, especialmente em um momento de queda de popularidade e tensões com o Congresso. O jornal também apontou um rompimento nas relações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, considerado um aliado estratégico.
Vitória da oposição
Na Argentina, o jornal Clarín avaliou a rejeição como uma “severa derrota” para Lula e uma vitória da oposição, destacando o papel do senador Flávio Bolsonaro, apontado como possível candidato presidencial.
A publicação também lembrou que o governo precisará indicar um novo nome para a vaga aberta no STF, anteriormente ocupada por Luís Roberto Barroso.
“Golpe político” e fragilidade no Congresso
A agência Associated Press descreveu o resultado como um “golpe político” no governo brasileiro, sinalizando dificuldades de Lula em manter apoio parlamentar. O conteúdo foi reproduzido por veículos como The Washington Post e ABC News.
Segundo a análise, divergências internas, incluindo a preferência de Alcolumbre por outro nome — o ex-senador Rodrigo Pacheco — contribuíram para o desgaste.
Impactos políticos e eleitorais
A Bloomberg destacou que a indicação de Messias fazia parte de uma estratégia mais ampla de Lula para ampliar diálogo com o eleitorado evangélico, já que o advogado é ligado a esse segmento.
Para a agência, a derrota deve intensificar as tensões entre Executivo e Legislativo e evidencia o fortalecimento de forças políticas de direita no Senado, muitas delas associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Esforço de articulação não foi suficiente
Já a Reuters informou que o governo realizou um esforço de articulação considerado incomum para tentar garantir a aprovação de Messias, buscando apoio entre parlamentares de diferentes espectros políticos.
Mesmo assim, a resistência inicial à indicação não foi superada, consolidando o que analistas apontam como um dos episódios mais significativos de tensão entre o Executivo e o Congresso no atual mandato.